Há dias em que o pronuncio de algo paira de forma
intermitente no ar. O lugar das coisas já não é o mesmo. As coisas, na verdade,
nunca tiveram lugar.
Perdemos o sentido de tudo. Houve uma altura em que tudo
fazia sentido, mas depois não fazia mais.
Os olhos são grandes. Grandes demais para alguém tão
pequeno. Afaga a curiosidade que sente com um par de estalos bem dados – a
realidade. E de repente, deixa de querer saber.
Pisei a rua hoje com um sentimento de revolta. Revolta pelas
conquistas não alcançadas, revolta pelos anos perdidos, revolta pelas lutas
falhadas. Fúria contra ideais perdidos, contra ideias frustradas. Ódio por
pessoas incompletas.
O momento seguinte foi de suspiro profundo. Tudo foram
pedaços de um caminho que no fundo moldou a mesma pessoa que sente esta
revolta. O esclarecimento pairou à minha frente.
A revolta não vem do que se passou. A revolta só nasce porque a lucidez veio com o que se passou.
A revolta não vem do que se passou. A revolta só nasce porque a lucidez veio com o que se passou.
Às vezes não importa chegar. Importa é andar.
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