quarta-feira, 8 de abril de 2015

as noites

Às vezes sinto que nem a mim pertenço.
Por vezes sinto que me desfaço em dores que já não sei se são minhas, em lágrimas que já não sei bem de onde vêm.
As noites seguem sem mim, sem que eu lhes dê permissão. Evadem-se, tal como os dias. As semanas, os meses, os anos. E, quando dou por mim, já se passaram anos de mais. Anos a mais para aquilo que eu tinha sonhado e desejado para mim.
Mas, no fundo, aquilo que não nos ensinam desde cedo é que os sonhos são apenas sonhos. Linhas orientadoras, que dificilmente seguimos.
Sempre quis acreditar que fiz de mim o que queria, que o que sou, é uma construção minha.
Mas já nem a mim me pertenço. Não me reconheço, se olhar para mim com os olhos de há dez anos atrás.

Estou partida, mas isso já nem é de agora. 

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Das partidas

O culto dos mortos é uma coisa que, sinceramente, me incomoda.
Às vezes as partidas não têm que ser celebradas com amargura e peso. Às vezes trata-se de valorizar quem fica.

Só isso.

@GoodbyeNeca